Ali está o prédio sem voz
Sem luz, sem quentinho e sem nós
Renderam-se ao RBNB
Welcome Days Inn
Prédio de infância roubada
Foi posta na rua e rasgada
Venderam-te a alma em leilão
Do teto ao chão
Adeus, Clotilde, adeus, Norberto
Levaram tudo o que era certo
Ficaram trolleys sem rosto nem vizinhos
Aceno ao puto, ao periquito
Adeus, ó graça de granito
Vamos para longe, um pouco mais sozinhos
Ao prédio tiraram-lhe as crias
Chutadas para longe em dois dias
Passado e presente num escombro
Sem choro, sem ombro
Prédio de cara lavada
Fachada p'ra quem não te é nada
Venderam-te a alma em leilão
Do teto ao chão
Adeus, Clotilde, adeus, Norberto
Levaram tudo o que era certo
Ficaram trolleys sem rosto nem vizinhos
Aceno ao puto, ao periquito
Adeus, ó graça de granito
Vamos para longe, um pouco mais sozinhos
Adeus, Lena, Mafalda, João, adeus, Alberto
Adeus, Cristóvão, Rita, Gabriela, adeus, Roberto
Adeus, Natália, Ana, Gilberto e Dona Emília
Adeus, querida Jacinta, Leonel e Dona Otília
Adeus, Inês, Manel, Rosália, Irina, adeus, Gorete
Aceno ao Leonardo e à doutora Graciete
Marias de Fátima, das Neves ou de Lurdes
Adeus, Dona Clotilde, Dona São, Dona Gertrudes
Adeus, Clotilde, adeus, Norberto
Levaram tudo o que era certo
Ficaram trolleys sem rosto nem vizinhos
Aceno ao puto, ao periquito
Adeus, ó graça de granito
Vamos para longe, um pouco mais sozinhos
Um pouco mais sozinhos
Longe e mais sozinhos
Mais sozinhos
Mais sozinhos