Não há, ó gente, ó não
Luar como esse do sertão
Não há, ó gente, ó não
Luar como esse do sertão
Oh! que saudade do luar da minha terra
Lá na serra branquejando
folhas secas pelo chão
Este luar cá da cidade tão escuro
Não tem aquela saudade
do luar lá do sertão
Não há, ó gente, ó não
Luar como esse do sertão
Não há, ó gente, ó não
Luar como esse do sertão
Se a lua nasce por detrás da verde mata
Mais parece um sol de
prata prateando a solidão
E a gente pega na viola que ponteia
E a canção é a lua cheia
a nos nascer do coração
Não há, ó gente, ó não
Luar como esse do sertão
Não há, ó gente, ó não
Luar como esse do sertão
Mas como é lindo ver
depois por entre o mato
Deslizar calmo, regato,
transparente como um véu
No leito azul das suas águas murmurando
E por sua vez roubando
as estrelas lá do céu
Não há, ó gente, ó não
Luar como esse do sertão
Não há, ó gente, ó não
Luar como esse do sertão
A gente fria
Desta terra sem poesia
Não se importa com essa lua,
Nem faz caso do luar!
Enquanto a onça
Lá na verde capoeira
Leva uma hora inteira
Vendo a lua a meditar!
Não há, ó gente, ó não
Luar como este do sertão
Não há, ó gente, ó não
Luar como este do sertão
Não há, ó gente, ó não
Luar como este do sertão
Não há, ó gente, ó não
Luar como este do sertão.